Aqui está escuro. Quer dizer, não tão escuro assim, pois consigo definir objetos. Mas não há uma iluminação artificial sequer, tudo é iluminado pela pouca luz da lua que entra pela vidraçaria das janelas.
Estou sozinho. Acho que já são 2:20h da madrugada. Na rua não há nenhum barulho consistente. Apenas ouço o maquinário da fábrica trabalhando. Consigo ouvir também gatos e cachorros perambulando e se comunicando pelas ruas. Tudo parece estranho por essas horas. A impressão que fica é a de que o planeta está girando devagar. Parece que a Terra rotaciona na cadência do tic-tac do relógio da cozinha.
Acendo uma das lâmpadas, coloco uma música calma para tocar, sento-me no sofá da sala, cubro-me com um lençol e olho fixamente pela janela defronte a mim. Olho tão fixamente a ponto de não ver nada. Fico absorto pensando em muitas coisas, todas sem nexo, sem fluência. Pensamentos mudam tão rápido que nem dá para me vislumbrar sentado e pensando. Na verdade eu penso na vida no mesmo momento em que esqueço dela. Dou-me conta de mim, acho estranho e mesmo assim ainda fico muitos minutos no mesmo lugar, apenas pensando, estático. A música continua tocando. A vida volta aos poucos ao seu lugar. Sinto um frio na barriga, então arrumo os cabelos, levanto, apago a luz, entro no quarto, tranco a porta, ligo uma pequena luminária, ligo o ventilador, deito na cama, cubro-me com o lençol e continuo pensando. Penso, penso, conjecturo milhões de cenas, crio histórias involuntariamente e, sem que eu perceba, sou dominado pelo sono.
...
terça-feira, 29 de março de 2011
Mais um dia que se foi. E que bom que se foi!
nada mais a fazer e não muito a declarar
Depois de um dia muito cansativo vou dormir.
Hoje, teve trabalho no call certer, menino com problemas de saúde e mulher com carência por causa da tpm. Minha moto quebrou e eu tive que levar o Dudu pro colégio de bicicleta. Fui pegá-lo - também d bicicleta - na saída da escola pra levá-lo direto pro médico, a fim de saber se vai ser realmente necessária a operação das amigdalas. Como já era de se esperar, vai sim, o Dudu vai ter q ser operado no final do mês.
Bem ...ao sair do consultório médico, correndo pra chegar a tempo em casa e deixar meu filho, já sabendo que não daria tempo nem de almoçar - pq a mulher grávida e com um menino de colo demorou mto pra ser consultada, e ela estava justamente na minha frente -, percebi q haviam roubado a minha bicicleta. (o dia já dava sinais de que ia ser ótimo).
Atordoado, com raiva, com fome, sem dinheiro na carteira e qrendo matar a mulher gravida - que Graças a Deus já não estava mais lá -, fui mesmo a pé, literalmente correndo com o Dudu nos braços. Deixei o menino lá, roubei a bicicleta da minha mulher (que depois, por pensar que a bicicleta dela tinha sido roubada, aos prantos, me ligou e, ao saber q eu é que tinha me apropriado da Caloi, chamou a minha mãe por nomes tão imprópios que eu quase me convenci que eu era filho de uma enviada do demônio).
Cheguei no trabalho, levei 3 broncas por estar atrasado, perdi a hora do cafezinho, acabou a água gelada, foi o dia em q mais ligaram pro call center fazendo reclamações, me xingaram de novo e falaram que minha mãe era meretriz ( nao com esses termos, claro) (peraí, será que eh verdade?) e por aí foi. O meu dia foi uma constância de casos não-tão-bons.
Pensei eu que, depois do trabalho, ia chegar em casa, tomar um banho, comer e ver tv. Que nada! Primeiro que, mal saí do meu departamento, fui avisado que a bicicleta da minha mulher tinha sido roubada. Fiquei parado. Depois fui pra calçada me sentar. Meus olhos fitavam os carros que passavam, sem reconhecer nenhum. Acho que estava acordado. Acho. As luzes dos postes estavam acesas, disso tenho certeza. Lembro-me de ouvir vozes dos pedestres atrás de mim. Todos conversando muito. Só voltei a mim, quando vi pessoas passeando de bicicleta. Foi entao que chorei, chorei até soluçar e foi um choro tão bom, tão confortante que me deixou feliz, me deu nova disposição. No final, quem me olhava não sabia se eu estava rindo ou chorando. Creio que todos pensavam que eu estava biruta. Até eu pensei.
Voltei pra casa, falei do ocorrido pra minha mulher, tomei um banho, comi, assiti tv e agora eu vou dormir na sala, porque a Cláudia não quer mais nem falar comigo. Disse que amanhã vai pedir o divórcio.
Enfim, se eu nao tiver uma síncope de madrugada por sonhar com bicicletas, amanha narrarei sobre mais um dia de vida.
Boa Noite
Depois de um dia muito cansativo vou dormir.
Hoje, teve trabalho no call certer, menino com problemas de saúde e mulher com carência por causa da tpm. Minha moto quebrou e eu tive que levar o Dudu pro colégio de bicicleta. Fui pegá-lo - também d bicicleta - na saída da escola pra levá-lo direto pro médico, a fim de saber se vai ser realmente necessária a operação das amigdalas. Como já era de se esperar, vai sim, o Dudu vai ter q ser operado no final do mês.
Bem ...ao sair do consultório médico, correndo pra chegar a tempo em casa e deixar meu filho, já sabendo que não daria tempo nem de almoçar - pq a mulher grávida e com um menino de colo demorou mto pra ser consultada, e ela estava justamente na minha frente -, percebi q haviam roubado a minha bicicleta. (o dia já dava sinais de que ia ser ótimo).
Atordoado, com raiva, com fome, sem dinheiro na carteira e qrendo matar a mulher gravida - que Graças a Deus já não estava mais lá -, fui mesmo a pé, literalmente correndo com o Dudu nos braços. Deixei o menino lá, roubei a bicicleta da minha mulher (que depois, por pensar que a bicicleta dela tinha sido roubada, aos prantos, me ligou e, ao saber q eu é que tinha me apropriado da Caloi, chamou a minha mãe por nomes tão imprópios que eu quase me convenci que eu era filho de uma enviada do demônio).
Cheguei no trabalho, levei 3 broncas por estar atrasado, perdi a hora do cafezinho, acabou a água gelada, foi o dia em q mais ligaram pro call center fazendo reclamações, me xingaram de novo e falaram que minha mãe era meretriz ( nao com esses termos, claro) (peraí, será que eh verdade?) e por aí foi. O meu dia foi uma constância de casos não-tão-bons.
Pensei eu que, depois do trabalho, ia chegar em casa, tomar um banho, comer e ver tv. Que nada! Primeiro que, mal saí do meu departamento, fui avisado que a bicicleta da minha mulher tinha sido roubada. Fiquei parado. Depois fui pra calçada me sentar. Meus olhos fitavam os carros que passavam, sem reconhecer nenhum. Acho que estava acordado. Acho. As luzes dos postes estavam acesas, disso tenho certeza. Lembro-me de ouvir vozes dos pedestres atrás de mim. Todos conversando muito. Só voltei a mim, quando vi pessoas passeando de bicicleta. Foi entao que chorei, chorei até soluçar e foi um choro tão bom, tão confortante que me deixou feliz, me deu nova disposição. No final, quem me olhava não sabia se eu estava rindo ou chorando. Creio que todos pensavam que eu estava biruta. Até eu pensei.
Voltei pra casa, falei do ocorrido pra minha mulher, tomei um banho, comi, assiti tv e agora eu vou dormir na sala, porque a Cláudia não quer mais nem falar comigo. Disse que amanhã vai pedir o divórcio.
Enfim, se eu nao tiver uma síncope de madrugada por sonhar com bicicletas, amanha narrarei sobre mais um dia de vida.
Boa Noite
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